Anvisa aprova Aquipta: novo medicamento oral pode mudar a prevenção da enxaqueca
BEM ESTAR
Aliny Pedrolli
9/9/20264 min read
Anvisa aprova Aquipta: novo medicamento oral pode mudar a prevenção da enxaqueca
Meta description: Anvisa aprova Aquipta, novo medicamento oral para prevenção da enxaqueca. Entenda como funciona o atogepanto, para quem é indicado e o que muda para os pacientes.
Aquipta: o que é o novo medicamento aprovado pela Anvisa?
Quem convive com enxaqueca sabe que a doença vai muito além de uma simples dor de cabeça. As crises podem ser incapacitantes e interferir no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos e até nas atividades mais simples do cotidiano.
Agora, uma nova opção de tratamento preventivo chega ao cenário brasileiro.
A Anvisa aprovou o registro do Aquipta (atogepanto hidratado), medicamento oral da farmacêutica AbbVie destinado à prevenção da enxaqueca. O registro contempla comprimidos de 10 mg e 60 mg, com 28 unidades.
A novidade chama atenção principalmente porque o Aquipta pertence a uma classe relativamente nova de medicamentos para enxaqueca: os gepants.
E, diferentemente de algumas terapias preventivas que exigem aplicações, o atogepanto é administrado por via oral.
Como o Aquipta funciona contra a enxaqueca?
O princípio ativo do Aquipta é o atogepanto, um antagonista do receptor do CGRP.
Mas o que isso significa?
O CGRP, ou peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, está envolvido nos mecanismos relacionados à dor da enxaqueca. Os chamados gepants atuam bloqueando o receptor dessa molécula, interferindo em uma das vias associadas às crises.
Isso é diferente de simplesmente tomar um analgésico quando a dor aparece.
A proposta do Aquipta é prevenir as crises, reduzindo sua frequência e impacto.
O Aquipta cura a enxaqueca?
Não.
Essa é uma distinção muito importante.
A aprovação de um novo medicamento preventivo representa uma alternativa terapêutica, mas não significa que a enxaqueca tenha deixado de ser uma doença crônica ou que o medicamento seja capaz de curar todos os pacientes.
Os estudos clínicos avaliando o atogepanto encontraram redução no número de dias de enxaqueca em comparação ao placebo, mas a resposta varia de pessoa para pessoa.
Por isso, a escolha do tratamento precisa considerar a frequência das crises, intensidade dos sintomas, histórico do paciente, outros medicamentos utilizados e possíveis contraindicações.
Para quem o medicamento pode ser indicado?
O Aquipta é voltado à prevenção da enxaqueca, e não deve ser confundido com um medicamento para simplesmente tomar por conta própria quando surgir uma dor de cabeça.
A indicação, dose e duração do tratamento precisam ser determinadas pelo médico.
Esse cuidado é especialmente importante porque a enxaqueca possui diferentes apresentações e pode estar associada a sintomas como:
náusea;
vômitos;
sensibilidade à luz;
sensibilidade aos sons;
alterações visuais;
dor intensa e pulsátil;
dificuldade para realizar atividades habituais.
A Anvisa classifica a enxaqueca como uma doença neurológica crônica e incapacitante.
Quais são os possíveis efeitos colaterais do Aquipta?
Como qualquer medicamento, o atogepanto pode provocar efeitos adversos.
Entre os eventos observados nos estudos estão náusea e constipação. Também foram relatados outros efeitos, como cansaço, sonolência, redução do apetite e perda de peso em informações internacionais sobre o medicamento.
Isso reforça uma regra simples, mas fundamental: medicamento novo não significa medicamento para automedicação.
A decisão de utilizar o tratamento deve ser individualizada por um profissional de saúde.
Quando o Aquipta estará disponível nas farmácias?
Essa é uma das principais dúvidas após a aprovação.
O registro pela Anvisa permite que o medicamento avance para a comercialização, mas a aprovação não significa disponibilidade imediata nas farmácias.
Ainda existem etapas posteriores, incluindo a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Também é importante destacar que o registro pela Anvisa não significa incorporação automática ao SUS. Para isso, seria necessária uma avaliação específica pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
Por que a chegada de novos medicamentos para enxaqueca é importante?
Durante muito tempo, as opções preventivas para enxaqueca eram baseadas principalmente em medicamentos desenvolvidos originalmente para outras doenças.
A evolução dos tratamentos trouxe medicamentos direcionados a mecanismos específicos envolvidos na enxaqueca, como aqueles relacionados ao CGRP.
O Aquipta faz parte dessa nova geração.
Isso não significa que seja necessariamente “o melhor remédio para enxaqueca”. Significa que pacientes e médicos passam a contar com mais uma alternativa terapêutica.
E, na medicina, ampliar as opções pode ser extremamente importante: um tratamento que funciona muito bem para uma pessoa pode não funcionar da mesma maneira para outra.
Aquipta é a mesma coisa que um remédio comum para dor de cabeça?
Não.
Essa talvez seja uma das informações mais importantes para quem está lendo sobre o medicamento nas redes sociais.
O Aquipta foi desenvolvido para prevenção da enxaqueca. Ele não deve ser encarado simplesmente como um analgésico comum para qualquer dor de cabeça.
Além disso, pessoas que apresentam dores de cabeça frequentes devem procurar avaliação médica. O uso repetido e inadequado de medicamentos para controlar crises pode, em determinadas situações, contribuir para um quadro de cefaleia por uso excessivo de medicamentos.
O que muda para quem sofre com enxaqueca?
A aprovação do Aquipta representa mais uma alternativa para pessoas que convivem com crises recorrentes de enxaqueca.
Viver constantemente esperando a próxima crise, cancelar compromissos por causa da dor ou acreditar que “é preciso simplesmente aguentar” não deveria ser considerado normal.
Existem tratamentos preventivos e estratégias de controle da doença. O desafio é encontrar, junto ao profissional de saúde, a abordagem mais adequada para cada pessoa.
Uma nova opção, não uma promessa milagrosa
A chegada do Aquipta é uma notícia importante para a neurologia e para milhões de pessoas que convivem com a enxaqueca.
Mas vale manter os pés no chão.
Novo medicamento não significa cura.
Significa pesquisa, uma nova possibilidade terapêutica e mais uma ferramenta para o médico utilizar quando ela fizer sentido para determinado paciente.
E talvez seja justamente essa a forma mais saudável de olhar para as novidades da medicina: com esperança, mas também com informação e senso crítico.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica, diagnóstico ou prescrição. Não inicie, interrompa ou altere medicamentos sem orientação profissional.
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