Celular e Tablet Estão Afetando a Atenção das Crianças? Entenda os Impactos das Telas entre 4 e 6 Anos

MATERNIDADE

Aliny Pedrolli

3/19/20263 min read

a man reading a book to a little girl
a man reading a book to a little girl

Crianças Distraídas Demais? O Que Está Por Trás da Dificuldade de Atenção Entre 4 e 6 Anos

Nos últimos anos, pais e educadores têm percebido algo cada vez mais comum na infância: crianças com maior dificuldade de concentração, mais impulsivas e com menos tolerância à frustração.

Entre os 4 e 6 anos, essa fase já envolve naturalmente desafios de atenção e autorregulação — afinal, o cérebro ainda está em desenvolvimento. No entanto, especialistas vêm observando que alguns fatores modernos, especialmente o uso frequente de dispositivos eletrônicos, podem intensificar essas dificuldades.

Conteúdos publicados no portal do médico e divulgador científico Drauzio Varella destacam que o desenvolvimento da atenção e do controle emocional na infância depende de experiências que estimulem o cérebro de forma equilibrada — algo que telas excessivas podem interferir.

Por que crianças pequenas têm dificuldade de atenção

Entre 4 e 6 anos, a criança está vivendo uma fase crucial do desenvolvimento cerebral.

Nessa etapa, áreas importantes do cérebro — especialmente o córtex pré-frontal, responsável por planejamento, atenção e controle de impulsos — ainda estão amadurecendo.

Isso significa que comportamentos como:

  • mudar de atividade rapidamente

  • esquecer instruções

  • ter dificuldade para esperar

  • reagir com intensidade às frustrações

fazem parte do processo natural de crescimento.

A atenção, assim como a linguagem e a coordenação motora, é uma habilidade que se constrói com o tempo.

O impacto das telas na atenção infantil

O problema surge quando a rotina da criança passa a incluir exposição frequente a celulares, tablets ou televisão, especialmente em idade muito precoce.

Dispositivos eletrônicos costumam oferecer estímulos intensos e rápidos:

  • mudanças constantes de imagem

  • cores vibrantes

  • recompensas imediatas

  • estímulos visuais acelerados

Esse tipo de experiência pode tornar atividades mais lentas — como ouvir uma história, montar um brinquedo ou desenhar — menos interessantes para o cérebro da criança.

Além disso, o uso excessivo de telas pode afetar outras habilidades importantes para a autorregulação, como:

  • paciência

  • imaginação

  • tolerância à espera

  • capacidade de lidar com frustração.

Autorregulação: uma habilidade essencial para a vida

Autorregulação é a capacidade de reconhecer emoções e controlar comportamentos diante delas.

Para uma criança pequena, isso significa aprender a:

  • esperar sua vez

  • lidar com o “não”

  • expressar frustração de forma saudável

  • controlar impulsos

  • persistir em uma atividade

Essas habilidades são fundamentais para o convívio social e para o aprendizado escolar.

E elas se desenvolvem principalmente por meio das interações humanas e das experiências do cotidiano.

Como ajudar as crianças a desenvolver atenção e controle emocional

Felizmente, existem várias formas simples e eficazes de estimular essas habilidades no dia a dia.

Entre elas:

  • estabelecer rotinas previsíveis

  • incentivar brincadeiras livres

  • limitar o tempo de telas

  • criar momentos de leitura e conversa

  • incentivar a expressão de sentimentos

E aqui entra uma ferramenta muito poderosa — e muitas vezes subestimada.

Livros sobre emoções: aliados no desenvolvimento emocional

A leitura infantil não estimula apenas a linguagem e a imaginação. Ela também pode ser uma forma incrível de ajudar a criança a compreender suas emoções.

Histórias que abordam sentimentos como raiva, medo, alegria ou frustração ajudam a criança a perceber que:

  • emoções fazem parte da vida

  • outras pessoas também sentem coisas parecidas

  • existem formas saudáveis de lidar com esses sentimentos

Ao ouvir uma história, a criança começa a identificar emoções nos personagens — e, aos poucos, também em si mesma.

Isso fortalece habilidades como:

  • empatia

  • autoconhecimento

  • comunicação emocional.

Quando a criança aprende a dar nome ao que sente

Um dos grandes desafios da infância é que muitas crianças sentem emoções intensas, mas ainda não sabem explicá-las.

Por isso, reações como choro, gritos ou birras muitas vezes são apenas tentativas de expressar algo que elas ainda não conseguem dizer com palavras.

Livros sobre emoções ajudam a criança a construir esse vocabulário emocional.

Ela aprende, por exemplo, a diferenciar:

  • tristeza

  • frustração

  • raiva

  • medo

  • alegria

  • ansiedade

E quando uma criança consegue identificar e comunicar o que sente, a autorregulação se torna muito mais possível.

Pequenos hábitos que fazem grande diferença

Em um mundo cheio de estímulos rápidos e telas por todos os lados, algumas escolhas simples podem ajudar muito no desenvolvimento infantil:

  • reservar momentos diários para leitura

  • criar espaços de conversa sobre sentimentos

  • estimular brincadeiras criativas

  • reduzir a dependência de dispositivos eletrônicos

Essas experiências ajudam o cérebro infantil a desenvolver atenção, paciência e inteligência emocional.

Um lembrete importante para pais e cuidadores

A infância é um período de construção.

A atenção, a paciência e o controle emocional não aparecem de forma automática — são habilidades que se desenvolvem com tempo, convivência e experiências significativas.

E, muitas vezes, algo tão simples quanto uma boa história antes de dormir pode ajudar uma criança a compreender melhor o próprio mundo interior. Clique aqui e veja um acervo de livros infantis que tratam sobre as emoções.

Porque, no fim das contas, aprender a reconhecer emoções talvez seja uma das habilidades mais importantes que uma criança pode desenvolver. 🌱