Mães atípicas podem receber atendimento psicológico pelo SUS sem sair de casa
BEM ESTAR
Aliny Pedrolli
9/30/20264 min read
Mães atípicas podem receber atendimento psicológico pelo SUS sem sair de casa
Entre consultas, terapias, escola, medicações, deslocamentos e uma rotina que muitas vezes exige atenção constante, mães de crianças e adolescentes com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras podem acabar deixando a própria saúde em segundo plano.
Para ajudar a mudar essa realidade, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece teleatendimento em saúde mental para mulheres que exercem atividades de cuidado. O serviço faz parte do Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres e pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital.
A iniciativa é especialmente relevante para as chamadas mães atípicas, que frequentemente precisam conciliar os cuidados com os filhos e outras responsabilidades familiares com a dificuldade de encontrar tempo para cuidar da própria saúde emocional.
Um espaço para quem também precisa de cuidado
A rotina de uma mãe atípica pode envolver uma sequência de compromissos e responsabilidades que não termina quando acaba uma consulta ou uma sessão de terapia do filho.
Há o acompanhamento escolar, as terapias, as consultas médicas, os deslocamentos, a busca por direitos e benefícios, além dos cuidados cotidianos. Em muitos casos, a mãe também precisa lidar com dúvidas, preocupações e decisões que fazem parte de uma jornada de cuidado contínuo.
Nesse cenário, procurar atendimento psicológico pode parecer mais uma tarefa impossível de encaixar na agenda.
É justamente aí que o teleatendimento pode fazer diferença.
A possibilidade de conversar com uma profissional de saúde mental de forma remota reduz a necessidade de deslocamento e pode facilitar o acesso ao cuidado para mulheres que têm pouco tempo disponível ou dificuldade para deixar o familiar sob seus cuidados.
Quem pode utilizar o serviço?
O Acolhe Mais atende mulheres que exercem atividades de cuidado de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
Isso significa que o público pode incluir mães, avós, tias, irmãs e outras familiares que assumem responsabilidades relacionadas ao cuidado.
Para as mães atípicas, o serviço representa uma possibilidade de olhar também para quem está diariamente ao lado da criança ou do adolescente.
A proposta não é substituir o acompanhamento da pessoa que recebe os cuidados. O foco do teleatendimento é a saúde mental da própria mulher cuidadora.
Como funciona o teleatendimento?
O primeiro passo é acessar o aplicativo Meu SUS Digital, utilizando a conta gov.br.
Dentro do aplicativo, a usuária deve procurar a área de Miniapps e acessar:
Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres.
Depois, ela será direcionada para a plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), onde fará o cadastro e informará a situação relacionada ao atendimento.
Após o cadastro, a equipe entra em contato para orientar sobre o agendamento da consulta.
O atendimento é realizado por psicólogas capacitadas para oferecer escuta e acolhimento, avaliar as necessidades apresentadas e, quando necessário, orientar sobre a continuidade do cuidado na rede de saúde.
Por que o atendimento remoto pode ser importante para mães atípicas?
Para quem vive uma rotina de cuidados intensivos, o deslocamento até um serviço de saúde pode representar um obstáculo.
Não é apenas o tempo da consulta. É preciso considerar quem ficará com a criança, o transporte, os horários das terapias, a escola e todas as outras atividades que precisam continuar acontecendo.
Com o atendimento remoto, parte dessas barreiras pode ser reduzida.
A mãe pode ter acesso à profissional de saúde mental sem precisar enfrentar mais um deslocamento — algo que, para algumas famílias, pode ser decisivo para que o cuidado psicológico realmente aconteça.
Cuidar de si não é deixar o filho de lado
Para muitas mães atípicas, a culpa pode aparecer justamente quando elas tentam reservar algum tempo para si.
A lógica de que "meu filho precisa mais de mim" pode fazer com que o próprio sofrimento seja constantemente adiado.
Mas a saúde da cuidadora também importa.
Sentir-se cansada, sobrecarregada, angustiada ou emocionalmente exausta não significa falta de amor pela criança. São sinais que merecem ser acolhidos e cuidados.
Ter um espaço de escuta pode ajudar a mulher a falar sobre aquilo que muitas vezes fica escondido atrás da rotina de consultas, terapias e responsabilidades.
Como acessar o serviço
O caminho pelo celular é:
1. Abra o aplicativo Meu SUS Digital.
2. Faça login com sua conta gov.br.
3. Entre em Miniapps.
4. Procure Acolhe Mais – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres.
5. Faça o cadastro solicitado.
6. Informe que exerce atividade de cuidado de familiar com deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento ou doença rara.
7. Aguarde o contato da equipe para o agendamento.
O atendimento é gratuito e faz parte da oferta de saúde mental do SUS.
Um cuidado que começa por quem cuida
Quando uma família recebe o diagnóstico de uma deficiência, de um transtorno do neurodesenvolvimento ou de uma doença rara, grande parte da atenção naturalmente se volta para a criança.
São consultas, exames, terapias, adaptações, busca por informação e planejamento do futuro.
No meio de tudo isso, existe uma pessoa que também precisa ser lembrada: a mãe.
O teleatendimento do Acolhe Mais cria uma porta de entrada para que essa mulher possa falar sobre o que sente e buscar apoio profissional sem precisar, necessariamente, sair de casa.
Porque cuidar de uma criança que precisa de atenção especial é uma jornada que exige muito.
E quem cuida também merece cuidado.
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