Meu filho de 3 anos perguntou sobre minhas partes íntimas. Saiba mais sobre educação corporal na infância

MATERNIDADE

Aliny Pedrolli

1/3/20263 min read

Meu filho de 3 anos perguntou sobre minhas partes íntimas. O que fazer?

Poucas situações deixam tantos pais desconcertados quanto essa: a criança olha com curiosidade genuína e faz a pergunta — direta, simples e inesperada. Quando um filho de 3 anos pergunta sobre as partes íntimas dos pais, é comum surgir constrangimento, medo de “falar demais” ou receio de estimular algo inadequado.

Mas aqui vai um ponto essencial, e tranquilizador: essa pergunta é saudável, esperada e faz parte do desenvolvimento infantil.

Respire fundo. Você não fez nada errado. E seu filho também não.

Por que crianças de 3 anos fazem esse tipo de pergunta?

Aos 3 anos, a criança vive uma fase intensa de descoberta do próprio corpo e do corpo do outro. Isso não tem conotação sexual. É curiosidade cognitiva, não erotizada.

Nessa idade, é comum que a criança:

  • Observe diferenças físicas

  • Nomeie partes do corpo

  • Compare corpos (homens, mulheres, bebês)

  • Faça perguntas diretas, sem filtro social

Ela está tentando entender como o mundo funciona, inclusive os corpos que fazem parte do seu universo afetivo.

Isso é normal segundo o desenvolvimento infantil?

Sim. Totalmente normal.

De acordo com orientações de pediatras e especialistas em desenvolvimento infantil, aos 3 anos a criança:

  • Reconhece e nomeia partes do corpo

  • Demonstra curiosidade sobre diferenças anatômicas

  • Aprende limites sociais gradualmente

  • Ainda não compreende pudor como os adultos

Ou seja: a pergunta não indica precocidade sexual, nem falta de limites, nem problema emocional.

Indica curiosidade saudável.

O que NÃO fazer quando a criança pergunta?

Antes de falarmos sobre o que fazer, vale destacar o que evitar:

  • ❌ Repreender ou brigar

  • ❌ Demonstrar choque, vergonha ou nojo

  • ❌ Ignorar ou mudar de assunto abruptamente

  • ❌ Dar respostas longas, técnicas ou carregadas de ansiedade

Essas reações podem ensinar, sem querer, que:

  • O corpo é algo errado

  • Perguntar é proibido

  • Há vergonha envolvida no próprio corpo

O que fazer, então? Como responder de forma saudável?

1. Responda com simplicidade e verdade

A melhor resposta é curta, clara e adequada à idade.

Exemplos:

  • “São partes do corpo, como as mãos e os pés.”

  • “Cada pessoa tem um corpo diferente.”

  • “Essas partes servem para fazer xixi e cuidar do corpo.”

Não é necessário entrar em detalhes além do que foi perguntado.

2. Use os nomes corretos das partes do corpo

Sempre que possível, utilize os nomes corretos (pênis, vulva, vagina, seios), com naturalidade.

Isso:

  • Fortalece a educação corporal

  • Ajuda na prevenção de abusos

  • Normaliza o corpo sem erotização

Nomear corretamente não estimula sexualidade — estimula segurança.

3. Observe o contexto da pergunta

A curiosidade surgiu:

  • Durante o banho?

  • Ao ver alguém trocando de roupa?

  • Ao se comparar com o próprio corpo?

O contexto ajuda a entender o nível de explicação necessário. Muitas vezes, uma resposta simples encerra o assunto naturalmente.

4. Introduza, com leveza, a noção de privacidade

Aos poucos, é importante ensinar que:

  • Algumas partes do corpo são íntimas

  • Nem tudo é mostrado em qualquer lugar

  • O corpo merece cuidado e respeito

Exemplo:
“São partes íntimas, que cuidamos com privacidade.”

Sem medo. Sem bronca. Sem dramatização.

Falar sobre o corpo protege, não expõe

Existe um mito perigoso de que falar sobre o corpo “estimula demais”. Na prática, acontece o oposto.

Crianças que:

  • Conhecem o próprio corpo

  • Sabem nomear partes íntimas

  • Aprendem sobre limites

tendem a estar mais protegidas, não mais vulneráveis.

Silêncio não protege. Informação adequada, sim.

E se eu travar na hora?

Acontece. Somos humanos.

Se você não souber responder no momento, tudo bem dizer:
“Essa é uma boa pergunta. A gente conversa sobre isso depois.”

E depois, converse mesmo — com calma.

Educação sexual na infância não é uma conversa única. É um processo contínuo, feito de pequenas falas, no cotidiano.

Quando devo me preocupar?

A curiosidade isolada, espontânea e compatível com a idade não é motivo de preocupação.

É importante buscar orientação profissional se houver:

  • Comportamentos sexualizados repetitivos e fora da idade

  • Linguagem sexual adulta

  • Angústia intensa associada ao tema

Mas reforçando: perguntar sobre partes íntimas aos 3 anos é esperado e saudável.

Educar com leveza é educar com segurança

Quando acolhemos a curiosidade infantil com respeito, ensinamos algo muito maior do que anatomia. Ensinamos que:

  • O corpo não é motivo de vergonha

  • Perguntar é seguro

  • Os pais são fonte de confiança

E isso constrói vínculos, autonomia e proteção emocional para a vida inteira.

No fim, a pergunta do seu filho não é um problema a ser resolvido. É uma porta aberta para uma educação mais consciente, respeitosa e amorosa.