Meu filho tem dificuldades para comer. Quando a seletividade alimentar pode ser um sinal de algo maior?
MATERNIDADE
Aliny Pedrolli
6/20/20262 min read
Meu filho tem dificuldades para comer. Quando a seletividade alimentar pode ser um sinal de algo maior?
Muitas famílias convivem com uma cena conhecida: a criança recusa alimentos, aceita apenas algumas opções, se incomoda com texturas ou parece ter um “cardápio próprio”. Surge então a dúvida: isso é apenas uma fase ou pode ser um problema que precisa de atenção?
Um dos termos que aparece muito nesse contexto é o TARE — Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo. Apesar de muitas vezes ser confundido com seletividade alimentar, eles não são a mesma coisa.
Entender essa diferença ajuda a família a buscar apoio sem culpa, com mais informação e acolhimento.
Seletividade alimentar: quando a criança prefere, mas ainda consegue avançar
A seletividade alimentar é relativamente comum na infância, principalmente em algumas fases do desenvolvimento.
A criança pode:
preferir determinados sabores ou texturas;
rejeitar alimentos novos;
querer repetir sempre as mesmas refeições;
demonstrar resistência para experimentar novidades.
Em muitos casos, com exposição gradual, rotina alimentar e incentivo adequado, a criança amplia seu repertório alimentar com o tempo.
O ponto principal é observar: a alimentação continua garantindo crescimento, saúde e participação social?
TARE: quando a restrição ultrapassa a “fase de não gostar”
No TARE, a restrição alimentar costuma ser mais intensa e persistente.
A criança pode apresentar:
um número muito limitado de alimentos aceitos;
forte ansiedade, medo ou desconforto diante de certos alimentos;
recusa relacionada a cheiro, aparência, textura ou sensação na boca;
dificuldade para comer fora de casa ou participar de situações sociais envolvendo comida;
prejuízos nutricionais ou no desenvolvimento.
Não é apenas “não gostar de legumes” ou “preferir macarrão”. Existe um sofrimento maior envolvido e a alimentação passa a interferir na vida da criança e da família.
Por que isso acontece?
O comportamento alimentar infantil é influenciado por vários fatores. Algumas crianças podem ter maior sensibilidade sensorial, dificuldades relacionadas ao processamento de estímulos, experiências negativas com alimentos ou outros aspectos emocionais e do desenvolvimento.
Por isso, a pergunta mais importante não é:
“Como faço meu filho comer?”
Mas sim:
“Por que meu filho está tendo dificuldade para comer?”
Quais profissionais podem ajudar?
A avaliação deve considerar a criança como um todo. Dependendo da situação, a família pode procurar:
Pediatra
É o profissional que avalia crescimento, desenvolvimento, saúde geral e possíveis impactos nutricionais.
Nutricionista infantil
Ajuda a analisar a qualidade da alimentação, deficiências nutricionais e estratégias para ampliar o repertório alimentar.
Fonoaudiólogo com atuação em alimentação
Pode avaliar questões relacionadas à mastigação, deglutição, habilidades orais e aspectos sensoriais da alimentação.
Terapeuta ocupacional
Pode contribuir quando há dificuldades sensoriais, como incômodo intenso com texturas, cheiros, temperaturas ou formas dos alimentos.
Psicólogo infantil
Pode auxiliar quando existem medo, ansiedade, sofrimento emocional ou impactos familiares relacionados às refeições.
Em alguns casos, esses profissionais trabalham juntos em uma abordagem multidisciplinar.
O que os pais podem fazer em casa?
Algumas atitudes ajudam:
evite transformar as refeições em uma disputa;
mantenha uma rotina previsível de horários;
ofereça alimentos variados sem pressão;
permita que a criança tenha contato com novos alimentos aos poucos;
observe padrões: quais alimentos ela aceita? quais características ela rejeita?
A alimentação infantil é uma construção. Mas quando a recusa é intensa, causa sofrimento ou limita a vida da criança, buscar orientação pode mudar completamente essa trajetória.
A diferença entre “uma fase difícil” e uma dificuldade que merece investigação está no impacto que isso causa no desenvolvimento, na saúde e na rotina da criança.
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