O hobby que você não precisa monetizar: talvez seja isso que está faltando na sua vida
BEM ESTARMINIMALISMO
Aliny Pedrolli
8/30/20265 min read
O hobby que você não precisa monetizar: talvez seja isso que está faltando na sua vida
Você já reparou que quase tudo o que fazemos atualmente parece precisar ter alguma utilidade?
Se você gosta de cozinhar, alguém pergunta por que não vende comida. Se gosta de escrever, talvez devesse criar um livro ou um perfil nas redes sociais. Se gosta de costurar, por que não transformar em negócio? Se gosta de fotografar, talvez possa trabalhar com isso. Se gosta de fazer exercícios, pode criar conteúdo sobre o assunto. Até aquela paixão antiga por plantas pode, de repente, virar uma loja, um perfil ou uma fonte de renda.
Existe algo bonito em transformar talentos em trabalho, é claro. O problema começa quando acreditamos que tudo aquilo que amamos precisa ser produtivo.
E talvez esteja na hora de resgatar uma coisa que parece simples, mas que pode estar desaparecendo da nossa rotina: ter um hobby apenas porque gostamos dele.
Você não precisa ganhar dinheiro com tudo aquilo que ama
Imagine fazer alguma coisa sem precisar ser boa. Sem precisar transformar aquilo em uma meta.
Você pode pintar um quadro horrível e ainda assim ter gostado de pintar. Pode aprender a tocar uma música e nunca tocar para ninguém. Pode fazer um bolo apenas para a sua família. Pode escrever páginas que jamais serão publicadas. Pode cuidar de plantas sem transformar sua casa em uma referência de jardinagem.
O hobby pode ser um território onde você não precisa apresentar resultados.
E isso é especialmente importante em uma época em que até o lazer pode ser contaminado pela lógica da produtividade.
Quando até o descanso precisa “servir para alguma coisa”
Talvez você já tenha percebido isso em si mesma: você decide ler um livro, mas escolhe um livro que possa ensinar alguma coisa ou começa a caminhar porque precisa atingir determinado número de passos.
Compra um caderno porque quer finalmente organizar sua vida ou faz artesanato pensando em vender. Até descansar pode ganhar uma justificativa: “preciso descansar para conseguir produzir melhor amanhã”.
É como se tivéssemos dificuldade de aceitar que o prazer também pode ser uma finalidade. Nem tudo precisa produzir dinheiro, conhecimento, resultados ou reconhecimento.
Algumas coisas podem simplesmente tornar uma terça-feira mais gostosa.
Ter um hobby pode fazer bem para a vida
Não é apenas uma questão romântica sobre “encontrar uma paixão”.
Uma revisão publicada em 2025, que reuniu pesquisas sobre hobbies e saúde mental, encontrou associações entre a prática de hobbies e aspectos como redução de estresse, ansiedade e sintomas depressivos, além de relaxamento, prazer, conexão social e bem-estar. Os autores, porém, ressaltam que ainda são necessárias mais pesquisas para compreender melhor esses efeitos.
Outro estudo longitudinal envolvendo mais de 93 mil pessoas com 65 anos ou mais, em 16 países, encontrou associação entre ter hobbies e menor presença de sintomas depressivos, além de maiores níveis de felicidade, satisfação com a vida e percepção de saúde.
Isso não significa que qualquer hobby seja uma espécie de remédio para a saúde mental. Significa que ter atividades prazerosas que fazem sentido para nós pode fazer parte de uma vida mais rica e satisfatória.
E talvez exista uma razão para isso.
Quando fazemos alguma coisa porque queremos, e não porque precisamos entregar um resultado, recuperamos uma pequena experiência de autonomia.
O hobby devolve uma parte da sua identidade
Existe um risco de passarmos tanto tempo cumprindo papéis que esquecemos quem somos fora deles.
Mãe. Profissional. Esposa. Filha. Irmã
Mas quem é você quando ninguém está pedindo nada?
Talvez seja justamente nesse espaço que um hobby possa aparecer: Você pode ser a mulher que gosta de literatura, a que testa receitas, a que borda, a que cultiva ervas na varanda, a que aprende história da arte, a que faz trilhas, a que desenha, a que fotografa flores, a que escreve no diário...
Você não precisa transformar essa atividade em uma nova identidade profissional. Ela pode simplesmente ser uma parte sua.
E se você não tiver um hobby?
Não precisa entrar em pânico. Talvez você tenha passado tantos anos cuidando das necessidades dos outros que nem sabe mais o que gosta de fazer. Isso acontece.
Em vez de procurar imediatamente “o hobby perfeito”, faça uma pergunta mais simples:
“O que eu tinha prazer em fazer antes de começar a achar que precisava ser útil o tempo todo?”
Talvez exista uma atividade que você sempre teve curiosidade de experimentar, mas nunca se permitiu. Comece pequeno.
Você não precisa ser boa
Essa talvez seja uma das maiores liberdades de ter um hobby. No hobby não precisa provar que você é talentosa. Ele precisa fazer sentido para você.
Em uma sociedade que mede desempenho o tempo inteiro, fazer alguma coisa sem se preocupar em ser excelente pode ser surpreendentemente libertador.
Escolha um hobby que combine com a sua vida real
Não adianta escolher uma atividade maravilhosa que exige três horas por dia se você tem apenas vinte minutos disponíveis.
O melhor hobby é aquele que consegue entrar na sua rotina.
Se você tem pouco tempo, experimente algo que possa ser feito em períodos curtos, como leitura, escrita, desenho, crochê, fotografia, jardinagem ou quebra-cabeças.
Se precisa sair mais de casa, talvez uma caminhada, dança, natação, ciclismo ou grupo de leitura seja interessante.
Se sente falta de convivência, procure uma atividade coletiva.
Se está cansada de telas, experimente alguma atividade manual.
E se o que você deseja é silêncio, escolha alguma coisa que possa fazer sozinha.
Não existe um hobby universal.
Existe aquilo que faz você se sentir mais você.
O hobby não precisa virar conteúdo
Talvez essa seja uma das maiores dificuldades atuais.
Estamos tão acostumadas a registrar tudo que às vezes parece estranho fazer alguma coisa sem fotografar.
Você pode ler um livro sem postar a capa!
O hobby também pode ser um lugar de encontro
E não precisa ser uma atividade solitária. A revisão de 2025 sobre hobbies também destacou justamente a possibilidade de conexão social e participação comunitária como um dos caminhos pelos quais os hobbies podem contribuir para o bem-estar.
Talvez você não esteja precisando apenas de uma atividade nova.
Talvez esteja precisando de novas pessoas e novos espaços para existir.
E você, o que faria se não precisasse ser boa nisso?
Não pense no que seria útil.
Não pense no que poderia virar renda.
Não pense no que impressionaria alguém.
Pense apenas:
“O que eu faria se ninguém estivesse esperando nenhum resultado de mim?”
Talvez a resposta seja o começo de um novo hobby.
Ou, quem sabe, o começo de uma relação mais leve com a própria vida.
Ser Leve
Inspire-se para uma vida mais leve e consciente.
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