Picada de cobra, escorpião ou aranha: descubra onde encontrar soro antiveneno pelo mapa do nies

BEM ESTARMATERNIDADE

Aliny Pedrolli

9/4/20267 min read

a snake with a long tail
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Picada de cobra, escorpião ou aranha: descubra onde encontrar soro antiveneno pelo mapa do NIES

Uma picada de escorpião, uma mordida de serpente ou um acidente com uma aranha peçonhenta pode acontecer dentro de casa, no quintal, durante uma caminhada ou em áreas rurais. E, quando acontece, uma das informações mais importantes é saber onde procurar atendimento rapidamente.

Em São Paulo, a população conta com uma ferramenta que pode ajudar justamente nesses momentos: o Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (NIES), da Secretaria de Estado da Saúde, disponibiliza um mapa com os pontos de atendimento soroterápico para acidentes com animais peçonhentos.

O mapa permite localizar os serviços de referência, verificar endereço e informações de contato e identificar onde existe disponibilidade de soros antivenenos. Em fevereiro de 2026, a Secretaria Estadual da Saúde informou a existência de 242 pontos para atendimento de acidentes com animais peçonhentos no estado.

O que é o mapa de atendimento soroterápico do NIES?

O NIES reúne informações estratégicas para apoiar a vigilância e a resposta em saúde. Entre as ferramentas disponibilizadas pela Secretaria de Estado da Saúde está o painel de Atendimento Soroterápico, criado para facilitar a localização dos pontos que possuem soros antivenenos.

A ferramenta é especialmente útil porque nem toda unidade de saúde mantém todos os tipos de soro disponíveis. Por isso, diante de um acidente, a pessoa deve procurar atendimento médico o mais rapidamente possível, e a equipe poderá avaliar a necessidade de encaminhamento para uma unidade de referência.

O mapa oficial pode ser acessado pelo endereço:

Mapa de Atendimento Soroterápico do NIES

A Secretaria de Estado da Saúde também mantém um painel específico para acompanhar os acidentes registrados por animais peçonhentos.

Painel de acidentes com animais peçonhentos do NIES

Quais acidentes podem precisar de soro?

Os acidentes por animais peçonhentos de importância para a saúde pública incluem principalmente aqueles provocados por serpentes, escorpiões, aranhas e lagartas do gênero Lonomia. O Ministério da Saúde também acompanha acidentes por abelhas e outros animais peçonhentos.

Mas existe uma informação importante: ter sofrido uma picada não significa automaticamente que será necessário receber soro.

A indicação da soroterapia depende da avaliação médica, considerando o animal envolvido, os sinais e sintomas apresentados e a gravidade do envenenamento.

O soro é um tratamento específico e deve ser administrado em ambiente de saúde, sob supervisão de profissionais capacitados.

Acidentes com serpentes: quais são os principais?

Os acidentes ofídicos de importância médica no Brasil são classificados principalmente em quatro grupos.

Acidente botrópico

É provocado por serpentes dos gêneros Bothrops e Bothrocophias, como jararacas, jararacuçus, urutus e caiçacas.

Pode provocar dor, inchaço, manchas arroxeadas e sangramentos, além de complicações como necrose e alterações da função renal nos casos mais graves.

O tratamento específico utiliza soro antibotrópico, conforme avaliação médica.

Acidente crotálico

É provocado pelas cascavéis, do gênero Crotalus.

O acidente pode apresentar manifestações neurológicas e musculares, além de alterações características como urina escura e risco de comprometimento renal.

O tratamento específico é feito com soro anticrotálico, quando indicado.

Acidente laquético

É provocado principalmente pela surucucu, do gênero Lachesis.

O quadro pode envolver manifestações locais, sangramentos e alterações sistêmicas. O tratamento utiliza soro antibotrópico e antilaquético, conforme o protocolo e avaliação médica.

Acidente elapídico

É provocado pelas chamadas corais-verdadeiras, dos gêneros Micrurus e Leptomicrurus.

Existe risco de manifestações neurológicas importantes, inclusive insuficiência respiratória. O tratamento específico é feito com soro antielapídico quando indicado.

E no caso dos escorpiões?

Os escorpiões também merecem atenção especial, principalmente quando a vítima é uma criança.

No Brasil, algumas espécies do gênero Tityus têm importância para a saúde pública. Entre elas está o conhecido escorpião-amarelo, Tityus serrulatus. As crianças são particularmente suscetíveis às formas sistêmicas graves do envenenamento.

O tratamento específico, quando indicado, é realizado com soro antiescorpiônico. Na ausência dele, pode ser utilizado o soro antiaracnídico, conforme avaliação médica e disponibilidade.

Os sintomas podem começar com dor intensa no local da picada. Nos casos moderados e graves podem aparecer vômitos, sudorese, agitação, alterações da frequência cardíaca e respiratória, salivação excessiva, convulsões, edema pulmonar e choque.

Por isso, principalmente quando uma criança é picada, não espere os sintomas piorarem em casa.

Aranhas também podem exigir atendimento especializado

No Brasil, as principais aranhas de importância médica são a aranha-marrom (Loxosceles), a aranha-armadeira (Phoneutria) e a viúva-negra (Latrodectus).

Os acidentes podem apresentar manifestações bastante diferentes, dependendo da espécie.

Por isso, não é recomendado tentar descobrir sozinho se a aranha é perigosa ou não.

Lave o local e procure atendimento médico. Se for possível fazer isso com segurança, uma fotografia nítida do animal pode ajudar na identificação. Não tente capturar uma aranha que possa provocar outro acidente.

E as lagartas? existe soro para acidentes por lonomia?

Sim.

As lagartas do gênero Lonomia podem provocar um quadro hemorrágico potencialmente grave. O tratamento específico, quando indicado, utiliza soro antilonômico.

É importante procurar atendimento rapidamente, especialmente quando houver história de contato com lagarta e aparecimento de manifestações como sangramentos.

A disponibilidade desse soro pode ser mais restrita a determinadas unidades de referência. Por isso, o mapa do NIES é particularmente útil para identificar os pontos que possuem os imunobiológicos necessários.

Quais soros existem?

De maneira simplificada, os serviços de referência podem trabalhar com diferentes tipos de antivenenos, de acordo com a região e a organização da rede:

  • soro antibotrópico, para acidentes por jararacas e serpentes relacionadas;

  • soro anticrotálico, para acidentes por cascavéis;

  • soro antibotrópico e antilaquético, para acidentes por surucucu;

  • soro antielapídico, para acidentes por corais-verdadeiras;

  • soro antiescorpiônico, para acidentes por escorpiões;

  • soro antiaracnídico, utilizado conforme indicação para determinados acidentes por aranhas e também, na falta do específico, em algumas situações de escorpionismo;

  • soro antilonômico, para acidentes por lagartas do gênero Lonomia.

A disponibilidade de cada imunobiológico varia conforme a unidade. A escolha do soro e a quantidade a ser administrada são decisões médicas baseadas no diagnóstico e na gravidade do acidente.

O Hospital de Clínicas da Unicamp atende acidentes com animais peçonhentos?

O Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas, integra a rede de atendimento de referência para situações relacionadas a acidentes por animais peçonhentos. Para quem precisa localizar o serviço, o endereço oficial do HC é:

Hospital de Clínicas da Unicamp
Rua Vital Brasil, 251 – Cidade Universitária
Campinas – SP
CEP 13083-888.

O HC informa que seu atendimento é integralmente pelo SUS e que não há cobrança por procedimentos, consultas, exames, medicamentos, cirurgias ou internações.

Como a disponibilidade de soros e a organização da rede podem sofrer alterações, é recomendável consultar o mapa oficial do NIES antes de se deslocar quando a situação permitir, ou seguir a orientação da unidade de emergência/regulação.

Em uma situação grave, não atrase o atendimento tentando localizar sozinho o hospital.

O que fazer imediatamente depois de uma picada?

A primeira orientação é simples: procure atendimento médico o mais rápido possível.

Não faça cortes no local da picada, não tente sugar o veneno e não aplique substâncias caseiras.

Se for possível e seguro, uma fotografia do animal pode ajudar na identificação. Mas não coloque a própria vida em risco tentando capturá-lo.

Também é importante informar aos profissionais onde e quando aconteceu o acidente e, se souber, qual animal provocou a lesão.

A rapidez é especialmente importante para crianças. A Secretaria de Estado da Saúde destaca que, em crianças de até 10 anos, o tratamento de acidentes que necessitam de soroterapia precisa ser iniciado rapidamente, dada a maior vulnerabilidade desse grupo.

Não espere descobrir se o animal era venenoso

Um dos erros mais perigosos depois de uma picada é pensar:

“Vou esperar para ver se aparece algum sintoma.”

Isso pode atrasar um tratamento que, quando indicado, deve ser realizado em ambiente hospitalar.

A orientação do Ministério da Saúde é procurar atendimento e permitir que a equipe faça a avaliação clínica e epidemiológica. O diagnóstico de muitos desses acidentes é essencialmente clínico, e a identificação do animal pode ajudar, mas não deve ser motivo para atrasar o atendimento.

Salve o mapa do NIES antes de precisar dele

Informação de saúde é ainda mais útil quando chega antes da emergência.

Vale acessar o mapa do NIES, conhecer os pontos de atendimento existentes na sua região e deixar o endereço salvo no celular.

Isso é especialmente importante para famílias que vivem em áreas rurais, têm crianças pequenas, trabalham em áreas externas ou costumam frequentar chácaras, sítios, trilhas e regiões onde há maior possibilidade de contato com animais peçonhentos.

Mas lembre-se: o mapa não substitui o atendimento médico e os pontos de referência podem ser atualizados pela Secretaria de Saúde.

Informação também é uma forma de prevenção

Conhecer os animais de importância médica, manter quintais e áreas externas limpos, evitar acúmulo de entulho, vedar frestas e utilizar calçados e luvas adequados ao manusear materiais armazenados são medidas que ajudam a reduzir o risco de acidentes.

E existe uma informação que vale deixar salva: picou, mordeu ou houve contato suspeito com animal peçonhento? Não tente tratar em casa. Procure atendimento médico imediatamente.

O SUS oferece gratuitamente os antivenenos necessários, quando indicados. A função do mapa do NIES é justamente ajudar a rede e a população a encontrarem os pontos preparados para esse atendimento.

No fim, saber onde está o soro antes de precisar dele pode fazer uma diferença enorme.

Salve o mapa. Compartilhe com sua família. E, principalmente, não espere uma emergência para descobrir onde procurar ajuda.

Acesse: https://nies.saude.sp.gov.br/ses/atendimento-soroteraptico

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