Tetraplegia: pesquisa brasileira com polilaminina pode ajudar a recuperar movimentos após lesão medular

Pesquisa brasileira com polilaminina traz esperança para pacientes com tetraplegia e lesão medular. Entenda como o tratamento experimental pode ajudar na recuperação de movimentos e conheça o trabalho da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio.

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Aliny Pedrolli

2/24/20262 min read

black microscope
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Polilaminina: a pesquisa brasileira que reacende a esperança para pacientes tetraplégicos

Durante muito tempo, a medicina considerou que lesões graves na medula espinhal — especialmente aquelas que causam tetraplegia — dificilmente permitiriam recuperação dos movimentos. Quando a comunicação entre o cérebro e o corpo é interrompida, os danos costumam ser permanentes.

Mas uma pesquisa brasileira tem trazido uma nova perspectiva.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é uma substância desenvolvida para ajudar o corpo a reconstruir conexões nervosas após uma lesão na medula. Ela foi criada a partir de estudos sobre a laminina, uma proteína que já existe naturalmente no nosso organismo e que participa da formação e organização das células.

De forma simplificada, a polilaminina funciona como um “ambiente favorável” para que os nervos lesionados tentem se reorganizar. Ao ser aplicada na região da medula espinhal lesionada, ela pode estimular a regeneração das fibras nervosas e facilitar que sinais do cérebro voltem a percorrer caminhos interrompidos.

O que já foi observado?

Em casos iniciais e ainda experimentais, pacientes com lesões graves apresentaram sinais de recuperação de movimentos e sensibilidade após receberem a substância pouco tempo depois do trauma.

É importante reforçar: o tratamento ainda está em fase de estudos clínicos e não é considerado uma terapia disponível ou comprovada em larga escala. Mas os resultados preliminares são animadores e têm chamado a atenção da comunidade científica.

Quem lidera essa pesquisa?

À frente desse avanço está a bióloga brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Tatiana dedica quase três décadas ao estudo da regeneração do sistema nervoso. Sua trajetória é marcada por pesquisas profundas sobre como as células nervosas se organizam e como poderiam se reconstruir após um trauma.

O desenvolvimento da polilaminina não surgiu de forma repentina. Ele é resultado de anos de investigação, testes laboratoriais e persistência científica. Sua equipe estuda como criar condições para que o próprio organismo possa iniciar um processo de reparo, algo que por muito tempo parecia impossível.

Um avanço que inspira, mas exige cautela

Embora os relatos iniciais sejam promissores, o tratamento ainda precisa passar por todas as etapas formais de validação científica. Estudos maiores são necessários para confirmar segurança, eficácia e padronizar o uso da substância.

Mesmo assim, o que essa pesquisa representa vai além dos resultados imediatos. Ela mostra que a ciência brasileira está avançando em áreas consideradas extremamente desafiadoras e que o conceito de “irreversível” pode, no futuro, ser revisitado.

No Ser Leve, acreditamos que esperança e responsabilidade devem caminhar juntas. E essa é uma história que une as duas coisas.